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Momentos históricos do Jornal mais antigo de Minas
Fundação
O jornal GAZETA DE MINAS foi fundado no dia 4 de setembro de 1887, em Oliveira (MG), pelo português Antônio Fernal, com periodicidade semanal até hoje mantida. Surgindo na última fase do Império com o nome de Gazeta de Oliveira, o jornal alcançou grande aceitação pública já em seus primeiros anos, circulando não somente na região de Oliveira, mas na Corte do Rio de Janeiro, para onde sempre se deslocava o seu fundador e primeiro proprietário. A rápida expansão e abrangência fez com que o proprietário mudasse o nome do periódico para Gazeta de Minas. A primeira edição com o novo nome circulou no dia 11 de janeiro de 1899.
A sua linha editorial estava fundamentada na atuação como um órgão comercial, agrícola, noticioso e literário. A primeira máquina impressora era tocada à mão. Anos mais tarde foi adquirido um motor a vapor, festejado como grande conquista tecnológica.
Primeiros anos de circulação
Sobre os primeiros anos de circulação do periódico, diz o livro "História de Oliveira", de Luís Gonzaga da Fonseca:
"Jornal neutro e alheio às politiquices de aldeia - foi assim que a Gazeta surgiu. Era a folha de maiores dimensões de quantas havia e tinha havido em Minas, afirma Xavier da Veiga (Revista do Arquivo Público Mineiro, ano III, pág. 225). Realmente as tiragens de 1896 a 1917 lançavam números vastos, maiores do que o próprio Jornal do Comércio do Rio de Janeiro".
Nessa fase o jornal publica editoriais e artigos de renomados autores, muitos deles com exclusividade. Conta o livro História de Oliveira: "Entre os seus mais ilustres colaboradores figuram dr. Josefino Felício dos Santos, José do Patrocínio, Aldo Delfino, Abílio Barreto, Mendes de Oliveira, Belmiro Braga, Mário de Lima e o próprio Eça de Queiroz". O grande escritor português costumava enviar suas famosas crônicas internacionais ao redator e patrício Antônio Fernal. O jornal também reproduziu, em forma de capítulos semanais, parte da obra do grande escritor futurista Julio Verne.
Jornalisticamente, as edições de Gazeta de Minas dessa fase guardam verdadeiros tesouros da comunicação impressa do Brasil. Entre eles está a veiculação da notícia sobre a assinatura da Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. A grandeza daquele momento histórico está estampada no original da edição nº 38, que circulou no dia 20 de maio de 1888. O entusiasmo do redator fez com que publicasse em toda a extensão da primeira página, com o título de "Brasil livre", o texto da lei assinada pela princesa regente. Não se conhece, até o momento, outra publicação jornalística mineira, da época, que tenha reportado aquele momento com esse estilo.
Consta desse tempo grandes e bem escritos editoriais, analisando a vida social e econômica do Brasil. Estudos de pesquisadores mostram como são importantes e úteis as comparações daqueles textos com a atual produção jornalística brasileira, no intuito de tecer paralelos com o presente.
O jornal atravessa o século
Já velho e doente, Antônio Fernal vende o jornal por volta de 1908. A Gazeta passa, então, a uma linha mais política. O veículo continuou crescendo, chegando a ser um dos maiores jornais de Minas, em formato e tiragem. Nesse período a cobertura jornalística era bastante ampla, atingindo os fatos da cidade, do Brasil e do mundo.
É fácil imaginar a riqueza de informações contidas em suas páginas, que atravessaram todo o Século XX, considerado o século da tecnologia. Gazeta de Minas narra os episódios mais importantes da vida humana nesse rico período, tendo coberto as duas grandes guerras mundiais, as grandes descobertas da medicina e da ciência, as grandes invenções, a evolução do pensamento humano, os fatos pitorescos dos reinos animal e vegetal.
Entre os anos de 1920 e 1960, as edições da Gazeta de Minas trazem um amplo noticiário político de Minas Gerais e de Oliveira. Esse peculiar período da história do Brasil é focado sob o ângulo de uma cidade do interior, terra natal de grandes políticos como Djalma Pinheiro Chagas, Francisco Cambraia Campos, Paulo Pinheiro Chagas, Paulo Haddad e Eliseu Resende. Recebem tratamento especial o governo de Getúlio Vargas, os governadores de Minas e as relações deste Estado com Oliveira e o Brasil político.
Após passar pela propriedade de alguns políticos, o jornal é doado, em 1947, à Diocese de Oliveira. Passa então a incluir, a partir daquele ano, uma ampla cobertura religiosa, de cunho católico. A Gazeta narra os fatos mais importantes que marcaram até hoje a Diocese de Oliveira.
A partir de 1964 o jornal entra no período do regime militar, refletindo todos os problemas que esse tempo histórico trouxe para a imprensa brasileira. É aí que o noticiário se volta mais para os assuntos da cidade, forçado pelo desenvolvimento tecnológico, o advento da TV a cores, o início do processo de globalização da informação.
A fase atual
A atual fase teve início em 1987, com a passagem da empresa novamente para as mãos de particulares. O jornal passa então por um rápido período de adaptação às normas técnicas do moderno jornalismo profissional, assumindo uma postura inteiramente independente frente aos poderes públicos e facções políticas. A Gazeta torna-se, então, rigorosamente noticiosa, inteiramente voltada para os fatos que envolvem a comunidade oliveirense. Está ainda calcada no jornalismo opinativo de qualidade, publicando dois editoriais em cada uma de suas edições, que continuam semanais, a exemplo do tempo em que foi fundada.
A condição de jornal mais antigo do estado, aliado ao atual rigor técnico-profissional hoje implantado, já valeram à GAZETA DE MINAS, nos últimos 10 anos, o reconhecimento das organizações setoriais e entidade de classe. Assim é que, em 1998, a Associação Mineira de Imprensa (AMI) promoveu expressiva homenagem ao órgão, incluindo-o na galeria dos mais importantes do Estado de Minas. Naquela oportunidade foi afixada, na parede da galeria da AMI, placa de alumínio, em tamanho natural, reproduzindo a página em que está noticiada a assinatura da Lei Áurea.
Pela qualidade e importância nacional do trabalho jornalístico apresentado, o atual editor do jornal foi condecorado, em Brasília, com a Ordem do Mérito Aeronáutico, em cerimônia presidida pelo presidente da República.
Durante o ano de 2000, outras duas expressivas homenagens lhes foram prestadas. A primeira pelo Sindicato dos Proprietários de Jornais do Interior de Minas Gerais (Sindijori) com oferecimento de placa durante o Congresso Mineiro de Jornais. A segunda pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais, com a medalha 500 anos de Brasil.