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Cracolândia: maior repressão policial gera tensão, dizem especialistas


Para eles, as políticas para a região devem incluir oferta de moradia - Foto: Rovena Rosa

A intensificação da repressão policial e as notícias de que a prefeitura de São Paulo pretende adotar uma política de internações forçadas têm aumentado a tensão entre as pessoas que frequentam a Cracolândia, na região central da cidade, segundo especialistas que atuam nessa parte da capital. Esse seria, de acordo com esses profissionais, um dos motivos do tumulto na noite do último domingo (22), quando houve um conflito entre a Guarda Civil Metropolitana (GCM) e as pessoas em situação de rua e usuárias de drogas que se concentram nos bairros da Luz e Santa Ifigênia.


O psiquiatra Flávio Falcone, que coordena o projeto Teto, Trampo, Tratamento, disse que um grupo de frequentadores da Cracolândia ateou fogo em objetos e fez barricadas na rua devido à violência policial promovida pela GCM ao longo do dia. “Eles fizeram o fluxo [concentração de pessoas da Cracolândia] andar o dia inteiro, sem parar. Impediram a distribuição de marmitas [por voluntários]. Não deixaram eles nem sentarem para comer a marmita”, disse.


Ainda segundo o relato de Falcone, a situação fez com que um grupo se revoltasse e fizesse as barricadas com fogo na Rua dos Gusmões. “Quando chega às 21h, eles [GCM] jogam bombas no fluxo, e o fluxo reage com as barricadas de fogo. É uma reação à prefeitura ter intensificado a violência policial”, enfatiza o médico.


A antropóloga e pesquisadora Amanda Amparo diz que a repressão policial se intensificou nas últimas quatro semanas, após a ação que dispersou a concentração de pessoas que ficava de forma fixa na Rua Helvetia. “A lógica da circulação se intensificou muito”, afirma. Além disso, há a notícia de que a prefeitura pretende promover internações forçadas dos usuários de drogas. “A ideia da internação involuntária está correndo. Está todo muito tenso, com muito medo, por causa disso”, acrescenta.


(Com informações da Agência Brasil)

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